terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

BBB 11

Reality shows nunca foram minha preferência na televisão, mas algumas coisas realmente me deixam indignada! A qualidade cada vez mais baixa de certos programas e a 'apelação' para conseguir mais audiência - apesar de eu não me conformar como 'apelação' pode dar audiência - são uma vergonha aos valores éticos, morais e familiares.

Pela primeira vez nesse blog, compartilho um texto que não é meu, e sim de Luiz Fernando Veríssimo, que fala sobre o 'sucesso' do BBB 11.



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"A VERGONHA"
(Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o BBB 11)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB 11 é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à
nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos.. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos "heróis" (?) como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um "zoológico humano divertido". Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os "animais" do "zoológico": o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a "não sou piranha mas não sou santa", o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista,(?) documentarista (?) e escritor(?) como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente(?) bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo "Heróis" São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados...

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede
Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o "escolhido" receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam 0ITO milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir:OITO milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

(PARA VENDEREM POR RS 500,00,grifo meu...vide abaixo)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade

AUTOR: Luiz Fernando Veríssimo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Começo começa começando...

Olha só eu de volta a blogosfera! Devo dizer que estava com muita saudade de escrever, mas maior do que a vontade tem sido a falta de tempo e de ideias (rs) ... Sem querer dar grandes desculpas digo também que queria um post de impacto para começar o ano, e por isso, o tema demorou a aparecer...

Enfim, começo o ano de 2011 nesse blog falando exatamente dele::: o começo!!! Horácio, grande poeta e filósofo da Roma Antiga, disse que: "Quem começou, tem metade da obra executada". A afirmação pode parecer até um pouco exagerada, mas no meu entender, o sentido desse pensamento está na dura verdade que: geralmente deixamos tudo para depois!

Como temos facilidade de: adiar, transferir, reprogramar, mudar de planos, pensar melhor, analisar com mais calma, ouvir uma segunda opinião, pensar bem, ponderar, refletir sobre o assunto... isso para dar apenas 'alguns' nomes à nossa desculpa para não começar!

Está gravado em nossa mente aquele discurso que muita gente faz dizendo que 'começar é o mais difícil' e tudo mais... De fato concordo que os primeiros passos que damos em relação à um novo projeto, ou qualquer coisa do tipo não é o mais fácil, mas tem que acontecer... e sem demora ou justificativas!

Se há algo nessa vida que não tem medo do começo, ou recomeço, ou seja lá o que for, é o tempo! Esse 'amigo' implacável não pensa, não se justifica, entra com força e determinação e submete muitas das ações e decisões de nossas vidas ao seu ritmo "espertamente" relativo!

Assim, prisioneiros da ação do tempo, sem se importar se você queria ou não, o ano começou! E já está quase no final do seu primeiro mês! Vendo pelo lado positivo, se você tem dificuldades de começar, o tempo já adiantou pelo menos esse serviço para você! E fica mais positivo ainda se encaixamos nesse contexto, a citação de Horácio mencionada anteriormente. Assim, sem esforço algum, 'metade da obra já foi executada'...

Entretanto, para não dizerem que estou muito 'Poliana', trago à tona uma frase do querido Victor Hugo que diz assim: "Nada há como começar, para ver o quanto é árduo concluir"... E agora?

Chamo a atenção para um fato curioso que um amigo me contou para falar um pouco sobre as complicações de começo de ano...
Tudo bem que hoje já é dia 25 de janeiro, mas como não dormi ainda, parece que é dia 24! Olha só que interessante o que um pesquisador e psicólogo do Reino Unido disse sobre o dia 24 de janeiro... Segundo ele, esse é o dia mais deprimente do ano! Ele bolou uma fórmula matemática que considera o início do pagamento das dívidas do fim de ano, o não cumprimento das metas feitas no ano anterior e outras coisas (talvez não muito aplicáveis ao Brasil), como fatores de alto nível de desânimo! Nossa! Dia 24 de janeiro é aniversário da minha mãe (rs), nem contei para ela essa história toda coitada! Mas se você quiser conferir, segue link:

http://br.noticias.yahoo.com/s/24012011/48/saude-hoje-dia-deprimente-ano-diz.html
Tudo isso para dizer como o processo do 'começo' pode ser controverso em nossa vida! Seja lá em que contexto, o começo traz todo um clima de mistério, empolgação, receio, acertos e erros, decepções e alegrias. É complicado começar, mas ninguém pode negar que é bom demais ver uma ideia, plano, sonho, meta, começar a ganhar forma e vida, a medida que tomamos decisões e compramos briga com os fantasmas do começo.
Começar é aceitar novos desafios, abrir o coração e a mente para os conflitos e aprendizados que um simples primeiro passo pode ocasionar. Nesse ano gostaria de contar com a graça da ousadia! A ousadia de querer começar, inovar... E mesmo que o 'concluir' seja difícil, os passos certos e as decisões maduras podem dar um gosto todo especial a essa aventura da ação/reação.
Por isso, vamos começar! Porque começo só começa começando!!!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nossa história

Estive pensando na importância da história... Aquela que pode ser a matéria que estudamos durante praticamente toda nossa vida escolar, e mesmo assim só chegamos até a ponta do icerberg... Aquela que revela a importância de alguém quando dizemos, 'entrou para a história'... Aí vejo a grandeza dos conceitos de ser história e fazer história.

Porém, não quero que essa reflexão tome proporções que ultrapassem a linha do ordinário. E quando digo ordinário não faço nenhuma referência pejorativa. Queria falar da minha história, da sua história. Falar da história das pessoas que não terão nomes em livros ou fotos em revistas, mas têm sim, uma história que é essencial.
Dizem por aí que::: "A história ensina" / "Nossa história nos define" / "Nossa história já está traçada" / "Quem não bebe não tem história para contar " (o que não concordo!!!)
Alheio a tudo aquilo que o senso comum fala sobre esse assunto, queria questionar se realmente sabemos lidar com nossa própria história. Será que deixamos que ela ensine? Será que a olhamos com devido respeito e maturidade? Não sei! A começar por mim...
Quem acompanha esse blog sabe que eu sou Católica, e sendo tal, uso um exemplo desse meio para traçar uma linha de raciocínio::: Acontece que, as vezes, em momentos de oração fala-se sobre fazer o exercício de segurar nas mãos a sua história e entregá-la toda para Deus. Isso porque, esses momentos tentam nos incentivar a olhar, analisar e aceitar a nossa história... o que não é lá muito fácil.
Temos cantinhos, pedacinhos da nossa história que tentamos enterrar, evitar. Um momento triste, uma escolha errada, uma perda... E aí vem o povo dizendo: "Esquece isso!" ... E como pode ser certo esquecer nossa própria história?
Se fossemos capazes de debruçar sobre nossa história, refletir sobre ela, e não evitá-la, escondê-la ou ser indiferente a ela, talvez aprendêssemos a ser mais inteiros, mais coerentes, mais sábios.
Contudo, reconheço a possível dificuldade de analisar nossa história, e seguir em frente, sem desprezá-la ou subestimá-la. Somos tentados a "colocar uma pedra sobre o assunto", "fingir que não aconteceu", "esquecer"... E talvez seja, de fato, a melhor saída em algumas situações.
Nisso persiste a dúvida do que seria correto fazer. Mas o correto no sentido de fazer aquilo que coloca nossa história em função da vontade de ser uma pessoa melhor e fazer bem ao ambiente à sua volta.

Sua história talvez não renda uma grande biografia ou filme, talvez ela seja bem simples e previsível, seja amarga, ou surpreendente, talvez seja um enredo de novela mexicana... enfim, as possibilidades são ilimitadas. Mas uma história deveria, em primeiro lugar, contemplar a construção e progresso de alguém que quer ser melhor. Senão qual o sentido?
Recentemente me emocionei em uma ocasião em que observei um pouco da história de duas pessoas, e pensei: O que é um ser sem história? E mais que isso... "O que é uma história sem felicidade no final?
Uma história de vida por mais que tenha capítulos amargos e obscuros faz parte de um todo que nos constrói e modela. Nossa história precisa ser considerada e não podemos teme-la! Os episódios que compõe nossa vida podem nos ensinar e explicar muito sobre a realidade que vivemos hoje e nos ajudar a fazer projeções para o futuro.
Quisera ser mestre da minha própria história. Quisera ir até o mais profundo dos momentos sem receios e reservas, buscando e encontrando o sentido de certos desfechos. Quisera, enfim, viver uma história de beleza e sabedoria, em que o Amor e a felicidade verdadeiros ditam os caminhos... E quem sabe ainda, a solução seja realmente entregar toda nossa história nas mãos daquEle que pode usá-la mais sabiamente...
Que saibamos lidar com nossa história e fazê-la motivo de satisfação e aprendizado.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal!

Faltam dez dias para o Natal, e seria incoerente se eu não escrevesse algo a respeito, afinal eu adoro essa data! Para explicar meus motivos de tanta simpatia por esse tempo, quero destacar duas palavras: tradição e fé.

Desde criança o Natal é especial para mim, lembro de momentos, pessoas e surpresas que marcaram a minha vida e definem um pouco do que eu sou e acredito hoje. Quando criança havia a família reunida, os presentes, a chegada do Papai Noel, que vinha de helicóptero até o CenterVale Shopping (rs). Outro fato que lembro todos os anos é como eu adorava os enfeites de Natal e tinha todo um jeito especial de nomeá-los, todos os enfeites que eu via, eu apontava e dizia: “Olha o lindo!” – e até hoje os chamo assim! Mas tudo isso é nada diante do verdadeiro sentido do Natal, é claro que tudo isso é válido, e o Papai Noel, os presentes e enfeites são importantes em certas fases da nossa vida, mas não podemos parar por aí!!!

Na Igreja há todo um cuidado para que os cristãos se preparem e vivam o Natal com maior profundidade e reflexão. As semanas que antecedem o Natal são chamadas de ‘Advento’. Com o tempo e a minha possibilidade de maior entendimento, a crença e práticas do Natal cristão somaram mais beleza e significado ao Natal do ‘lindo’, presentes e família que eu prezava desde minha infância.

Hoje o Natal representa muito mais para mim e para aqueles que creem, ele representa parte de um plano de salvação que Deus traçou para a humanidade. O Natal é parte primordial da construção do que hoje chamamos de Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Pois nesse tempo, nasceu o Filho, o Messias enviado de Deus, que viveu, nos abriu as portas da Eternidade, Ressuscitou e nos enviou o Santo Espírito... Eis a grandeza do Natal: Marcar e atualizar a vinda de Jesus Cristo a terra!

Na ordem cronológica o ano está acabando, mas para a Igreja é um começo. O ‘Advento’ nos prepara para a vinda do Menino Jesus, a luz perfeita que chega ao mundo para renovar em nós a esperança e nos inspirar na busca de sermos pessoas melhores. Por ser tão importante e de ordem tão profunda é que a Igreja, em sua sabedoria, propõe as quatro semanas de preparação para o Natal.

Tenho pensado, com a ajuda dos sacerdotes e de amigos inspirados, sobre a imensidão da beleza e loucura que envolve esse tempo. Deus Pai, tomado de Amor, envia o Menino Deus ao seio da humanidade, frágil, indefeso, pequeno, submetido ao nosso humano, às nossas limitações e regras. Vejo aí o grande Amor e confiança que Deus deposita em nós, permitindo que uma simples família pudesse cultivar a esperança do mundo inteiro e de todas as gerações, sendo até hoje, sinal e testemunho para os que crêem.

Como disse - e muito bem dito - um amigo meu, mais ou menos com essas palavras: “O Natal representa essa loucura de Amor de Deus, que permitiu que aquele que sustenta todo o Universo, coubesse na mão do ser humano”.

Não podia deixar de também ressaltar a importância da família nesse tempo. Deus quis nascer no seio da família, não por acaso, mas por saber que ali é onde nos formamos e aprendemos a amar. Espero que nesse tempo de ‘Advento’, as famílias possam revestir-se de Amor e de força, para experimentarem a restauração e renovação que o Natal nos permite viver.

Sei que muita gente não gosta do Natal por lembrar-se de uma pessoa querida que já faleceu, ou por nunca ter tido tradições, ou por achar tudo fingimento de pessoas que só ‘ficam boazinhas no Natal’. É claro que esses motivos carregam significado e eu os respeito. Porém, tudo é uma questão de escolha! Somos ‘humanos’ e conscientes, e o que nos torna diferentes de todos os outros seres que existem nesse Planeta é a capacidade de pensar, ponderar e decidir!

Se colocarmos de um lado da balança toda a incredulidade, lembranças e sentimentos desagradáveis que o Natal pode trazer a algumas pessoas, e do outro lado da balança colocarmos o Milagre de um Deus que se faz menino por Amor aos homens e por confiança em nossas boas escolhas... o que pesa mais?

Nesse ano espero ver menos consumismo e mais generosidade! Que as luzes artificiais não desviem nosso olhar da Verdadeira Luz, que é o Menino Deus que chega para nos abençoar! Que o sinal mais importante de representação do Natal seja o presépio, e não a árvore e o Papai Noel. Que o tempo do Advento e do Natal permita que o nosso coração esteja aberto a amar mais, perdoar mais, sorrir mais... se assim escolhermos!

Um ótimo Natal para você e sua família!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Calor!!!

Viver em um país tropical traz implicações desagradáveis! Pelo que parece, o tempo quente está vindo para ficar! Quando se fala em questões climáticas hoje em dia, tudo é meio incerto e instável. Mas uma coisa é imutável desde que me conheço por gente::: como me incomoda o calor!!!

Para ilustrar meu mais recente surto de irritação, utilizo a noite passada. Por volta das 23 horas, não aguentava mais ficar dentro de casa, sentindo aquele clima abafado - solução: fiquei sentada numa cadeira de praia no quintal de minha casa, olhando para o céu... O céu, que estava lindo como sempre, tinha um tom meio avermelhado, acredito que motivado pela grande massa de ar quente que envolvia a noite (se é que isso faz algum sentido) ... Mas fora de casa, a brisa tornava o clima um pouco mais agradável.

Fiquei conversando no celular com alguns amigos e desfrutando aquele momento de 'procura de um alívio', aí começou a chover! Porque é claro, o calor deixa o tempo muito mais maluco! Deixei-me ficar ali no sereno por certo tempo, até que a chuva começou a engrossar e tive que entrar no forno que chamo de 'casa'. Afinal, seria irresponsabilidade ficar na chuva e pegar um resfriado sabendo que preciso estar bem para cumprir os compromissos que tenho.

Sei que tem muita gente que ama o calor e acredito que essas pessoas tenham bons motivos para isso. Concordo até que os dias ensolarados ficam lindos e que uma praia com sol e calor faz bem , de vez em quando... Mas eu não consigo gostar de verão!!!

Enfim, uso esse post para compartilhar minha insatisfação com esse calor intenso! Considerando ainda, o fato que ontem tive que andar pela rua e pegar ônibus lotado com aquele tempo nada agradável! E sigo listando mais razões para meu desgosto em contemplar esse calor que veio para ficar por meses e meses a fio:::


suor __ ônibus lotado __ falta de disposição para fazer qualquer coisa __ pessoas semi-nuas andando por aí (e achando tudo muito bonito!) __ moleza __ sentir-se suado após ter acabado de sair do banho __ necessidade de cuidados redobrados com a pele __ preguiça __ ventilador barulhento na hora de dormir __ chuvas fortes e repentinas __ aumento do consumo de bebidas alcoólicas (para "refrescar" , ah tá!) __ sua casa transformada em uma sauna __ e finalmente a grande tendência brasileira em eleger a "música do verão" que geralmente é horrível e não sai da nossa cabeça!

(rsrs)
É isso aí! Que tenhamos força para sobreviver mais um verão!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Pianista (The Pianist - 2002)

O Pianista (The Pianist) é um de meus filmes preferidos. É uma produção de 2002, mas mesmo não sendo novidade, gostaria de escrever um pouco sobre ela – já que assisti ontem, de novo e, mais uma vez, fiquei encantada...

O longa do respeitado diretor e ‘ser humano excêntrico’ Roman Rajmund Polański (por quem não tenho muito apreço, mas tudo bem), é realmente genial! Com sensibilidade e realismo incríveis, além de três Oscars (melhor diretor, melhor ator e melhor roteiro adaptado) ganhou prêmios no Reino Unido, França, Japão e Itália.

O filme se passa em Varsóvia na Polônia (1939-1945), por aí você já pode concluir que estamos falando da Segunda Guerra Mundial. O que o torna especial é exatamente o foco de toda a situação. Sendo um drama biográfico, o filme conta a história do pianista polaco Władysław Szpilman, que viveu e testemunhou os horrores da Guerra, o nascimento e destruição do 'Gueto de Varsóvia', e que posteriormente escreveu um livro sobre suas experiências - que tornaram esse filme possível.

Polánski, que também foi testemunha ocular do fato histórico narrado no filme, utiliza todo o terror do holocausto para tocar intimamente o tema da luta pela sobrevivência. Há partes do filme em que você se pergunta e realmente se irrita pensando: ‘Por que ele ainda insiste em sobreviver?’. E é esse sentimento de determinação que enche os olhos do expectador.

Interpretado de maneira magistral pelo ator Adrien Brody, o pianista Władysław Szpilman, judeu, homem de família, bem empregado numa rádio da Polônia e de futuro promissor, vê sua vida reduzida à preocupação de manter-se vivo. Em cada cena, e a medida que as novidades da Guerra forçam os personagens a se ajustarem às imposições dos nazistas, vemos a brilhante postura de Szpilman, sem máscaras, sem orgulho, sem reservas, usando as oportunidades que tem para ficar em pé.

Ao contrário de muitos filmes sobre a Guerra, ‘O Pianista’ não mostra um herói ou um mártir. Ele mostra uma pessoa comum, que não salva crianças, donzelas ou companheiros judeus, mas que precisa da ajuda de outros para lutar pela própria vida. Mesmo assim, não vemos no personagem traços de egoísmo ou desvio de caráter... ele só quer viver!

Tudo isso considerado, me encaminho ao final desse elogio ao filme, exaltando aquele detalhe, aquele sentimento, que para mim é o que faz tudo valer a pena: as cenas de Szpilman ao piano. O sentimento de tudo aquilo que o personagem vive e vê transformado em música, é realmente arte! A atitude do pianista, me levou a refletir sobre o grande paradoxo entre: sensibilidade e fraqueza. Mesmo com uma sensibilidade transparente e latente, a força do personagem, a maneira como ele se apega a vida e a música, impressionam!

Penso em quantas pessoas em condições infinitamente mais favoráveis não conseguem ver a importância e a beleza de estar vivo... 'O Pianista' transforma o horror, a morte, a injustiça, a violência, a humilhação em força, música e vontade de viver.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Almoço solo

Era um feriado. Acordei sem preocupação com horário e pensei no que tinha planejado para o dia... Foi então que me dei conta que tinha um compromisso no início da tarde...

O cumprimento desse me obrigou a recusar convites de almoço em família, churrasco com amigos, passeio com uma amiga. Sabe-se que quando você tem horário e não tem um meio de transporte eficiente a disposição, não deve-se simplesmente esperar que as outras pessoas se ajustarão às suas necessidades...

Resultado... tive que almoçar sozinha. Não fiquei desanimada com o fato, ao contrário, o todo parecia bem agradável.
O dia estava lindo, e o céu, sempre amigo, me surpreendeu mais uma vez com sua beleza cativante. Óculos escuros - acessório átipico para mim - tênis, roupa confortável. Fui à um restaurante que gosto muito, afinal se eu ia almoçar sozinha, ia almoçar bem!

Pode-se dizer que o lugar estava movimentado, mas não lotado! Apesar de ser um de meus favoritos, lamentei não ter escolhido um lugar aberto para aproveitar o dia bonito. Indecisão para escolher o que comer, queria algo saudável. Indecisão sobre onde sentar... não havia mesa para um ou dois... foi aí que tudo começou...

Percebi que, automaticamente, procurei sentar em algum canto, numa mesa pequena, discreta... e por que? Talvez estivesse com receio do jugalmento das outras pessoas. Olhei ao redor, e vi que eu era a única que estava sozinha... sorri! Contrariando todos os sentimentos e convenções, sentei-me em uma mesa praticamente central, onde havia espaço para seis pessoas... sorri de novo!

Logo o garçom veio perguntar sobre o que eu iria beber, pedi e iniciei meu almoço. Foi um tanto decepcionante ver que a comida não estava tão boa quanto costumava ser... por que não fui a um lugar aberto? - pensei de novo.

Vi uma pessoa que conheço, olhei para cumprimentar e ela pareceu fingir não me ver... Esquisito, pensei! Foi então que percebi que as pessoas encaravam com certo estranhamento alguém almoçando sozinha em um feriado... sorri!

Talvez a pessoa que fingiu não me ver, temia que por dizer 'oi' a alguém almoçando sozinha, estaria no dever de me convidar para juntar-se a mesa dela... e certamente não havia espaço para mim, no almoço com a família que estava com ela. Além disso, eu estava bem confortável sozinha!

Comecei a prestar atenção nas pessoas ao redor. Havia esta família da qual falei, um jovem casal, casais com crianças, um casal de idosos, e outros... Pessoas diferentes, com relacionamentos diferentes, e ... frequência e modo de diálogo diferentes, isso mesmo! Sorri!

A família conversava de maneira entusiasmada, rindo, talvez lembrando de histórias antigas. O jovem casal, ria com os olhos, se aproximavam ao falar, querendo passar um sentimento de intimidade, talvez... As mesas com crianças eram as mais animadas, me diverti vendo o jeito espontâneo de cada uma delas, ri também da maneira com que seus pais os tentavam submeter às regras dos adultos... vã tentativa! O casal de idosos nutria um silêncio pacífico, daqueles que dizem tudo sem verbalizar nada, era como se não houvesse o que dizer, mesmo assim a companhia significava muito... sorri! Havia também um casal que preferiu sentar lado a lado, ao invés do habitual frente a frente... me perguntei, o por quê ... teriam brigado? Não havia muito diálogo na mesa também, mas o silêncio não era doce como o do casal de veteranos... desviei o olhar...

Vi mais duas pessoas que eu conhecia, e desejei ser invisível... engraçado! Não queria ver ninguém ou falar com ninguém, o trabalho de observação estava muito mais interessante. Fiz a refeição durar mais que necessário, afinal, alguém almoçando sozinha já chamava atenção, imagine se eu estivesse sozinha, com o prato vazio e ainda sentada, o que iriam pensar? Sorri!

Terminei meu almoço observando as relações humanas que me envolviam, evitando o olhar daqueles que me conheciam e agradecendo a Deus por estar bem! E por ter visto em simples mesas de um almoço semelhanças com meu passado, presente e possível futuro... sorri! E ainda dizem que só temos visão do que compõe nossa vida quando estamos para morrer...

Levantei-me, fui ao caixa, paguei e tirei minha capa de invisibilidade... Andei pela rua, sorrindo!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Caçador de mim ...

♫ Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim ... ♪


Somos uma soma de nossas experiências e decisões, mas como definir algo totalmente norteado por emoções? Somos, então, o que sentimos? Ou somos o que buscamos? A busca por coerência em fazer, pensar e sentir é um exercício de mortificação do querer por querer, é ter consciência da necessidade de procurar ser melhor para si mesmo e em benefício do outro, para que nossos paradoxos interiores não machuquem aqueles que estão ao nosso redor...

♫ Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim ... ♪

Quando queremos nos encontrar faz-se essencial libertar-se de certos hábitos. Acreditar que tudo tem sim, um fim! Somente a busca irá durar, até um desfecho que, se revelar uma vida ornamentada com a beleza da pureza de sentimentos e o testemunho de generosidade e verdade, pode abrir-se à Eternidade...

♫ Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura ... ♪

Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou (Rm 8: 37). Se confiamos na Verdade da Salvação, o medo tende a perder-se pelo caminho. Abrir-se ao que te faz um ser humano melhor, buscar força no que é certo, no que dá sentido a vida e nos afasta do vazio que nos é oferecido. Evitar o que não nos edifica! Estar unido ao Amor que não acaba, que não se cansa...

♫ Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim?
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim ... ♪

No final das contas, deveríamos ter a consciência de que o que importa é não parar de lutar, não parar de tentar descobrir-se, conhecer-se. Não deixar que o momento, o prazer, o atraente nos amorteça, ao ponto de nos desviar de nosso caminho. Sonhar, planejar, imaginar, faz parte do processo de encontrar-se. Que o 'não posso', 'não consigo', 'é impossível', sejam insignificantes diante da vontade de ser, de fazer a diferença. Que as limitações do ser e as decepções do caminho sejam motivadores de crescimento, de aprendizado. Quando pensamos 'sonhar demais' ou 'sentir demais', vale considerar que o sonho e o sentir compõem a tentativa de definição que buscamos a vida toda. Há tanto para ser visto e vivido, por que não ousar? Mas a ousadia traz benefício quando almejamos o que nos é devido, algo que só descobrimos se abandonamos o egoísmo e o orgulho...

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Caçador de Mim

Música e letra: Sérgio Magrão e Luis Carlos Sá (1980)

Interpretação: Milton Nascimento

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O filme "A Troca" e o conflito social

Desde que ouvi falar desse filme, quis assistí-lo, mas foi somente ontem que a vontade se concretizou. Devo dizer que a produção me surpreendeu positivamente, e essa é a razão desse post...

Clint Eastwood está mesmo levando jeito para os bastidores do cinema, mais do que para a atuação, em meu ponto de vista... Sendo diretor de bons filmes, como "Sobre meninos e lobos", "Menina de Ouro", "Invictus" e outros, nos basta dar um voto de confiança para o homem. É dele, também a direção de "A Troca", o ponto que nos interessa aqui...

O filme é baseado em uma história real ambientada em 1928, data em que uma mãe se vê desolada pelo desaparecimento de seu filho. Christine Collins, a mamãe interpretada por Angelina Jolie, mostra toda uma força interior e determinação louváveis na tentativa resignada de recuperar seu filho.

O mais interessante no filme é a inteligente mudança de foco, quando achamos que será apenas uma historinha de procura de uma criança, ele leva para questões bem mais profundas - como a manipulação do sistema.

Acontece que depois de um tempo, a polícia desesperada com a repercussão do caso, entrega um menino a mamãe Jolie, que não é o filho dela. Para que a imprensa e a opinião pública parem de 'incomodar'
, Christine Collins (Angelina) é dada como desequilibrada e forçada a manter o menino que não é seu filho para por um fim em toda a polêmica.

É aí que o filme começa a se desdobrar e surpreender! Ajuda nesse processo o personagem de John Malkovich, um Reverendo chamado Gustav Briegleb que se dispõe a ajudar no caso e a não se omitir diante da negligência dos líderes envolvidos. Como toda a trama se desfecha não vou dizer, vale assistir!

...

Gosto de filmes assim, que mostram essa essência humana de não permitir que os valores e as verdades sejam roubados. O retrato da mulher que enfrenta as adversidades obstinada, mas delicadamente é algo muito belo que nos motiva a lutar mais por nossos ideais. A esperança me fascina, assim como a coragem de pensar e agir conforme o que se conclue correto.

A maneira como certas pessoas ou grupos articulam e manipulam os fatos para benefício próprio são um alerta ao nosso comodismo e aceitação de verdades infundadas. Somente pondo em prática nossa capacidade de reflexão - que pode ser vasta - conseguiremos atingir certas realidades que impedem o desenvolvimento da sociedade.

Que a persistência e a noção de que 'eu' sou também responsável por tudo que acontece ao meu redor possa nos impulsionar à busca do conhecimento que gera atitudes coerentes e transformadoras. Recomendo o filme "A Troca" e espero que o cinema continue utilizando a arte para nos fazer analisar nossas realidades.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A dialética do querer e dever

" Poucas pessoas conseguem tudo o que querem, mas no final das contas, elas não são as verdadeiras sortudas. Os verdadeiros sortudos são aqueles que fazem o que estão destinados a fazer".

Isso foi dito em um filme que me emocionei assistindo hoje... Nisso criou-se em mim uma reflexão que dá título a este post: o "querer" oposto ao "dever".

Gostaria de falar desse conflito considerando a juventude, grupo no qual
me sinto inclusa. Essa época é extremamente emocionante! E apesar de ser complicado e até parecer injusto, uma constatação é óbvia e real: muitas das grandes decisões de nossas vidas começam a ser tomadas quando somos jovens.

O que é que eu vou fazer quando acabar a escola? Para que faculdade eu vou? Que curso fazer? Será que devo só fazer um curso técnico? Será que eu deveria fazer um intercâmbio? Será que ficar longe da minha família por um tempo seria bom? Mas se eu ficar longe como fazer com aquele(a) garoto(a) que eu amo? Quando devo começar a trabalhar? Que profissão seguir? Como e onde começar?

Quem não se fez ao menos uma dessas perguntas? E eu gosto das perguntas! Acredito que elas são uma demonstração de que estamos dispostos a refletir e crescer... mas a pergunta precisa gerar movimento, senão se torna vazia... Então vamos lá!

Atualmente os jovens têm acesso a informação facilmente, rapidamente, abundantemente... Isso deveria ajudar a responder as perguntas interiores destacadas acima, que não são novidade para ninguém! A informação deveria ajudar a gerar um movimento e filtrar nossas intenções em relação ao querer e dever, mas vemos que não é isso que vem acontecendo. Essas perguntas, apesar de fazerem muito parte do 'lugar-comum', não estão, muitas vezes, sendo encaradas com a seriedade que mereciam. A busca do responder, de acordo com o mais correto, está perdendo espaço para a resposta imediata e de suposto benefício próprio.

Aí finalmente entramos no querer. O que queremos hoje? Queremos o que vemos, queremos o que é belo, o que é poderoso, admirável, intenso, o que nos faz sentir 'parte' de algo virtualmente importante.

♫ I wanna be a billionaire so fucking bad.
Eu quero muito ser um bilionário
Buy all of the things I never had.
Comprar todas as coisas que eu nunca tive
I wanna be on the cover of Forbes magazine.
Eu quero estar na capa da revista Forbes
Smiling next to Oprah and the Queen.
Sorrindo ao lado de Oprah e da Rainha

Everytime I close my eyes.
Toda vez que eu fecho meus olhos
I see my name in shining lights.
Eu vejo meu nome em luzes brilhantes
A different city every night
Uma cidade diferente a cada noite
I swear the world better prepare
Eu juro que é melhor o mundo se preparar
For when i'm a billionaire.
Para quando eu for um bilionário ♪
(Billionaire – Bilionário / Travis McCoy e Bruno Mars / tradução livre)

Essa música, deixa explícito o que parte das pessoas está querendo... Mas não se trata somente de fama, dinheiro e poder, é mais que isso! Eu juro que é melhor o mundo se preparar para quando eu for um bilionário... Mudando um pouco: Eu juro que é melhor o mundo se preparar para quando em conseguir tudo o que eu quero... E é isso! O que iríamos fazer se alcançássemos o que queremos? Será que o nosso querer está realmente relacionado com o que é verdadeiro e ideal para nós, relacionado ao que é bom?

Entramos, agora, no dever. Cada dia que passa as pessoas, principalmente as mais jovens, se incomodam absurdamente com esse conceito! "Não quero nada nem niguém me dizendo o que devo fazer"...

♫ Hey dad look at me
Hey pai, olhe para mim
Think back and talk to me

Pense e fale comigo
Did I grow up according to the plan ?

Eu cresci de acordo com seu plano?
And do you think I'm wasting my time doing things I wanna do? ♪

E você acha que estou perdendo tempo fazendo as coisas que quero fazer?
(Perfect - Perfeito / Simple Plan / tradução livre)

Não queremos ouvir nem de nossos pais, nem dos outros o que devemos ou não fazer... Ainda mais difícil é estarmos dispostos a ouvir, analisar os fatos, nos questionarmos a respeito de nossas decisões e atitudes e descobrirmos se realmente estamos fazendo o que deveríamos.

Eu não me atrevo a dizer o que as pessoas deveriam fazer, mesmo porque eu não sei [rs] e isso é bem individual e profundo! Mas uso essa frase citada no início desse texto para tentar concluir toda essa história. Não concordo com algumas das palavras utilizadas nela, então vou ajustar de acordo com os conceitos que considero reais. (Volta lá em cima e leia a frase de novo, se quiser e achar que deve ;] )

Para 'sortudo' prefiro usar as palavras: realizado, pleno, inteiro ... e vemos que não são muitos que estão atingindo este estágio... creio que isso provém de uma grande tendência social à imitação, conveniência e facilidade. O 'destino' mudo para as palavras vocação ou missão. E só conseguimos cumprir nossa missão ou viver nossa vocação quando passamos pelo processo do autoconhecimento: sem máscaras, sem medo.

Sonho com o dia em que nós vamos nos preocupar mais em ser do que em mostrar. Que vamos buscar descobrir e viver o que devemos, e não só o que queremos, o que vem do impulso, das vontades, das pressões, dos exemplos distorcidos que nos são apresentados.


Enfim, muitos dizem que a religião aliena e faz as pessoas serem manipuladas e ignorantes, mas eu digo que a Igreja Católica a que pertenço e através da qual conheci Deus, me ensinou que eu posso TUDO, mas o que realmente devo é buscar o que me torne plenamente feliz. A felicidade que não passa depois de uma noite de balada. Não passa depois que eu já curti aquilo que eu comprei. Não passa depois de ter aquele momento intenso com o cara ou a moça por quem se é apaixonado.

É uma satisfação que dura por se tratar do desenvolvimento de quem você é, de ter uma missão e buscar cumpri-la, e não importa se você descobre que sua vocação é de realizar pequenas ou grandes coisas. Como diz um amigo meu, hoje o mundo está tão escuro que todos correm atrás de quem acende um fósforo. E quem faz o que deve fazer, que consegue controlar e dominar seu querer e estar no lugar certo, fazendo a coisa certa... cativa!

O grande lance é estar em Comunhão consigo mesmo e com Deus , conhecer seu potencial e saber o que fazer com ele. O individualismo imposto pela sociedade atual nos faz pensar que o que sabemos ou temos de especial deve ser utilizado exclusivamente para o nosso bem estar, enquanto que se o usássemos para o bem comum, os frutos seriam muito mais significativos.

Fica aqui o convite! A começar por mim, vamos embarcar nessa jornada rumo ao descobrimento de nós mesmos. Aceitar o processo de escolher o que é mais correto, o que devemos fazer, deixando de lado aquilo que corresponde a um querer vazio e egoísta, fruto de paixões. Que Deus nos ajude a sermos pessoas melhores e, assim alcançarmos o que nos é devido e que nos levará à Eternidade.

Porque tenho sido tudo, e creio que minha verdadeira vocação é procurar o que valha a pena ser. (Monteiro Lobato)