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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Começar 2021 em silêncio e de joelhos


A maioria das pessoas planeja como vai começar o ano, e, de certa forma, a maneira que escolhemos iniciar este novo período, reflete nosso desejo de como viver o novo que vem. Passar a virada de ano ao lado de quem se ama, em um lugar bonito, numa praia, numa festa, com música e luzes, em um lugar silencioso, com pouca gente, só com os mais íntimos, com música ao vivo, em casa mesmo, vendo ou ouvindo algo que gosta. Há inúmeras opções para viver esse ritual de passagem de um ano para outro. 

Mas dentre tantas alternativas, pareceria inusitado passar o momento que para tantos é cheio de barulho e alegria efusiva, de joelhos e em silêncio. Por que se ajoelhar? Por que silenciar? 

Diante da lembrança de tantos meses vividos, o silêncio ajuda a fazer memória das graças e desafios enfrentados, o silêncio ajuda a retomar os propósitos feitos nos dias passados, ajuda a enxergar que em tudo que passou, há motivos para louvar. No silêncio encontramos as razões para ter gratidão por um ciclo concluído, afinal de contas, tudo passou, e no silêncio, renovar a certeza de que, de fato, tudo passa. 

No entanto, há algo que não passa. E diante da verdade imutável, daquele que é o vencedor e quer nos ensinar a triunfar sobre tudo o que passa, vale a pena se ajoelhar. Por isso, ajoelhar-se nos ajuda a baixar nossa altivez e equilibrar nosso ego, ajuda a acalmar a correria e agitação na qual estamos imersos tantas vezes, ajuda a parar e contemplar. De joelhos, olhamos para o centro de tudo, para aquele que tudo pode realizar em nossa vida, e a Ele, a Jesus, confiamos todas as expectativas e planos do novo ano. 

Em silêncio e de joelhos começamos nosso ano, reconhecendo a bondade de Deus que nos ajudou a passar por todas as situações do ano de 2020. Diante dele, renovamos nossa fé, nossa esperança e somos inflamados por seu amor que nos constrói e abre à nossa frente um horizonte belo e pleno de perspectivas de progresso e crescimento. Desta maneira, damos ao Deus que está a nossa frente, o senhorio, o poder sobre nossa vida.

Em silêncio e de joelhos percebemos nesse movimento, aparentemente imóvel, que tantas vezes procuramos mudar o que estava ao nosso redor e não tivemos sucesso; percebemos que o esforço maior deve ser em mudar o que está dentro de nós, a isso temos acesso, e isso pode transbordar com um potência real de mudança externa. 

Por isso essa foi a forma que tantos escolheram iniciar o ano de 2021, deixando que assim, as promessas de um novo amanhecer, fizessem as luzes desse novo tempo iluminar um caminho edificado na esperança. E o melhor de tudo é que, mesmo que você não tenha vivido sua virada em silêncio e de joelhos, essa postura gera um efeito transformador a qualquer momento, porque o Deus que opera as graças, está sempre nos esperando para fazer o sol da sua justiça amorosa e misericordiosa brilhar sobre nós.

Publicação originalhttps://comshalom.org/comecar-2021-em-silencio-e-de-joelhos/

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Que 2020 é este?


Faz tempo que não atualizo aqui. Os dias têm sido intensos. Queria registrar o quanto o ano de 2020 está sendo o mais imprevisível que já vivi. Mas o que eu queria mesmo dizer é o quanto tenho louvado por ter um sentido de vida. Percebi que isto é realmente uma âncora que não nos permite ser arrastados pelas crises.


Tudo parece estar diferente. Muitas limitações estão impostas neste tempo. Há várias inquietações sobre o futuro. Há medo sobre o presente e medo pelos que amamos. Há uma comoção pelas vidas perdidas. Há uma amargura no sentimento de impotência diante de tudo isso.

Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial da casa pontifícia, disse em sua reflexão na Sexta feira da Paixão desse ano que um dos efeitos da pandemia é que a humanidade está "saindo da sua ilusão de onipotência". Eu concordo! E esta sensação, mesmo para os que dizem ter esta certeza, é bem desconfortável. O que fazemos diante de uma situação da qual não temos controle algum? 

Tenho pensado muito sobre  a insegurança a respeito da verdade. O que é real? O que é manipulação? Quais são os meios seguros de saber a verdade? Eu não sei! Só sei que volto ao princípio: o sentido de vida me ajuda a sublimar todo este contexto. A verdade da minha fé é a única que tenho mesmo segurança que não me enganará. E nela eu devo me apoiar. E vemos uma crise de saúde se desdobrar em crise humanitária, crise política, econômica e etc. Um cenário triste!

Eu não sou onipotente. Eu não tenho controle sobre as situações e sobre as decisões dos outros. Eu tenho minha fé. Eu tenho um sentido de vida. E aquilo que creio é a única verdade em que me apoio. É essa a lista que repasso em minha mente, que deixo cair no meu coração. Ela me faz desejar alimentar a fé, manter viva a esperança, experimentar e comunicar o amor. Por isso eu suplico, por isso eu rezo! Diante de um contexto que me ultrapassa, recorro ao Deus que ultrapassa tudo.

Que este tempo, que passará, possa nos amadurecer, possa despertar solidariedade e o valor da vida em nosso coração. Que passe nos fazendo lembrar do que é essencial. Que passe e não roube a fé. Que passe e nos ensine a olhar mais para o outro, a cuidar mais do outro. Que passe e que nós permaneçamos firmes, ancorados em Deus.   


A esperança, com efeito, é para nós como uma âncora, segura e firme. Ela penetra até além da cortina do Santuário, no qual Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec. (Hebreus 6, 19-20)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Refletindo Contrastes

Amor imperfeito, todo tipo de imperfeição é só o que tenho a oferecer ]
Suas entranhas se contorcem, expressando por mim, um ato de misericórdia profundo ]
É constante o Seu falar e Seu cuidar, mas nem sempre consigo Suas graças acolher ]
Muito presa às idolatrias, agitada pelos barulhos do mundo

Meu orgulho, buscando sempre ser invencível, faz com que eu me canse de mim
Sua mão constante e humilde permanece, amorosamente, a direção apontar
Sem jeito, sem muito saber, eu trilho o caminho do qual não vejo o fim
E Sua bondade valoriza todos os meus passos e derrama vigor em meu caminhar 

O que vejo são lembranças, atitudes, no ontem e no hoje, que acusam a minha imaturidade ]
Seu olhar nunca me condena assim, e a partir dele queres me definir
Eu desejo, me encanto, mas pareço ser incompatível com a Tua santidade
Me falas ternamente das marcas da Tua criação e incansável, Teu rosto em mim vens imprimir ]

Eu mitigo oferta, e ao invés do abandono, eu escolho o domínio
Paciente Tu esperas, me conquistas, me atrai, com desconcertante liberdade
Sua proposta não esconde nada e questiona das minhas ilusões o fascínio
E pela fé, que lentamente cresce, Tu me mostras o alívio de render-me à Verdade 

Me falas de coisas que não passam, queres me fazer enxergar Tua transcendência
E eu me vejo ainda apegada ao transitório, ao exagerado, ao racional
Teu Santo Espírito sempre vem em meu socorro, para iluminar minha consciência
E volto, humilhada, reconhecendo minha dificuldade de ver além, meu olhar natural 

Eu tendo à escolher o que me parece belo, bem sucedido, inteligente e interessante 
Seus valores são outros, não pensas como eu, queres o pequeno, dócil e esvaziado
Focada no que posso entender e controlar, perco de vista o que para Ti é importante
Mas Teu caminho supera o que eu definia como beleza, sucesso e lógica, em um Crucificado ]

Sempre sonhei amar e idealizei que o amor me satisfaria, trazendo prazer e conforto
Tu me amas real e concretamente, e mostras que isso comporta decisão e sacrifício
Minha visão romântica se rebela, vendo escorrer a fantasia do que fora construído no meu coração e no meu corpo ]
E me inseres num mistério de Amor sem medidas, que de contempla-lo, me percebo somente no início ]

Como pode ser? O que há de se fazer? Se parece que eu não sei ser assim. Se entre nós só há contrastes ]
Eu falho, tento, vou e volto, e minha fragilidade e inconstância, fazem-me carregar uma perene dor ]
Seu olhar puro, calmo e firme vê a Imagem e Semelhança que em mim criastes ]
Vejo que não há mais para onde ir ou o que fazer, a não ser completamente me rasgar diante da Verdade, da Misericórdia, do Amor ]

Eu grito: o que te falta, ó minha alma? O que da falta podes reclamar? 
Não recebeste Vida, Igreja, dons infusos, carismas incontáveis e redenção?
Tudo te foi dado, como podes não se conhecer, na ignorância se fechar?
Não te bastam os sacramentos, as virtudes, de Maria, dos anjos, dos santos a intercessão?

Mas já sabias de toda a minha fraqueza, ó Deus providente
Conheces minha dificuldade de Teu Amor corresponder
Mesmo assim nada retém, e a mim tudo entregas generosamente
Que eu confie em Ti e não em mim, para que esses contrastes possas vencer 

E nisso, vejo um reflexo imperfeito, mas de uma perfeição almejada
Tudo começa, tudo termina em Ti e falas que não há razão para temor
És paciente e compassivo e em Ti minha alma sempre encontra morada
Louvor Aquele que espera, perdoa e compreende, minha busca atribulada pelo Divino Amor ]

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Que seja Ela Exaltada

Ergue Tua Cruz Jesus! Deixa que Ela fique lá no alto, onde todos podem ver, onde todos podem se questionar, sobre Ela e sobre Ti, sobre si mesmos, e sobre tudo.

Ergue Tua Cruz Jesus, porque dissestes que quando fosses elevado atrairia todos a Ti, e dessa atração somos necessitados, deste sinal que nos arrasta somos dependentes.

Ergue Tua Cruz Jesus, porque Nela está a contradição que traz a mais perfeita harmonia à vida humana. Nela está a loucura extrema que traz a completa serenidade e paz a todo aquele que crê.

Ergue Tua Cruz Jesus, e mostra que a dinâmica da vida é contrária ao esconder-se, ao poupar-se, ao proteger-se. Mostra a liberdade e a libertação contidas Nela, contidas no Teu corpo unido a Ela.

Ergue Tua Cruz Jesus, e seja mais uma vez sinal de novo tempo, sinal de princípio, sinal de eternidade, nesse rompimento com limites e contingências do que calculamos como ontem, hoje e amanhã.

Ergue Tua Cruz Jesus, e com Ela eleva nosso olhar. Que não fiquemos mais presos ao que vemos e sentimos, nessa vida aparente e sedutora, que quer manter nossos olhos naquilo que acaba e logo é substituído por algo supostamente mais interessante. Com nosso olhar fixo Nela, sejamos livres do erro e do engano.


Ergue Tua Cruz Jesus e com Ela eleva nosso coração. Que os cravos que Te prenderam a Ela, penetrem também em nós, nos ferindo e nos unindo, ao caminho que, por alto preço, conquistaste para cada um. Caminho reto, caminho certo, caminho real.

Ergue Tua Cruz Jesus, e transcende toda a mesquinhez da nossa mentalidade. Transcende nossa compreensão de felicidade. Transcende nossa visão estreita e nosso medo de dar.

Ergue Tua Cruz Jesus, e Nela abre os braços para convidar toda a humanidade a Te experimentar. Que Teus braços abertos acolham. Que Teus braços abertos deem novo sabor e novo sentido a cada realidade que se deixa alcançar.

Ergue Tua Cruz Jesus, e sede exaltado. Por Ela nos ensina a viver, por Ela nos ensina a sofrer, por Ela nos ensina a morrer, por Ela nos ensina a ressuscitar.

Ergue Tua Cruz Jesus, e sede exaltado. Seja Ela um memorial de um Cristo vivo, cujo caminho conferiu verdadeira vida à nossa existência. Seja Ela um memorial que se renova a cada dia, que é visitado a cada dia, porque quem A toca sempre experimenta a novidade e o mistério inexprimíveis.

Seja exaltado em Tua Santa Cruz Jesus. Porque Ela é sinal do Teu amor que não poupou nada, amor que nos ensina a amar, entrega que nos ensina a entregar, vida que nos ensina a viver. Que diante Dela nosso joelho se dobre e nossa língua confesse que és o único Senhor. Que Ela permaneça Exaltada, para que compreendamos que absolutamente tudo não A pode superar. 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Minha Amiga


Faz tempo que eu disse para Maria que queria escrever sobre ela. Não que ela tenha pedido, porque ela é humilde demais para isso, e não que ela precise, porque afinal, seu testemunho já diz ao mundo tudo que ele precisa saber ao seu respeito... Por que então?

Simplesmente porque eu preciso falar dela. Preciso falar da amizade que me edifica em Deus. Preciso falar da presença, da devoção, do auxílio, que a cada dia se torna mais essencial e especial na minha vida.

Não pretendo aqui levantar evidências sobre os dogmas Marianos, debater ideias ou qualquer outra coisa do tipo. Só quero falar da minha mãe, da minha amiga! A devoção Mariana inspirada, obviamente pela minha fé católica, vem crescendo e amadurecendo em mim, assim como eu mesma e minha fé estão em processo de amadurecimento. Não vejo para mim caminho de contemplação, de busca da Vontade de Deus que não passe pelas mãos, pelo ventre, pelo testemunho de Maria.

Maria, a minha amiga, para mim é um exemplo sólido e lindo de como ser mulher. Suas virtudes, suas escolhas, sua postura deveriam ser sempre encarados por nós mulheres, como receita de como viver dignamente, de como se comportar, de como servir e testemunhar Deus. Hoje em dia as mulheres têm se desfigurado tanto por tendências, ideias, conceitos... Elas têm se desvalorizado tanto por carências, necessidade de auto-afirmação... É tão triste! E eu olho para Maria e vejo que ela, sim, deveria ser parâmetro, e não tantas coisas que tem sido consideradas características próprias de uma mulher... Mas só essa história já daria outra longa postagem...

Enfim, gostaria de refletir um pouco sobre a presença de Maria nos Evangelhos. Se lermos a Sagrada Escritura, vemos que Maria não aparece muito, e quando aparece, não fica falando muito. Eu acredito que isso se explica pelo fato dela ter entendido plenamente que a sua missão, em momento nenhum, era ser o centro de tudo que estava acontecendo. Ela compreendeu que para ser de Deus, para responder ao seu chamado, ela não precisava ficar chamando atenção para si! 


E em sua simplicidade e humildade, Nossa Senhora continua nos ensinando, a cada trecho da Bíblia. Sempre que ela aparece, ou que se pronuncia, nos ensina uma valiosa lição; lição que aponta para Deus e não para ela. 

Na Anunciação ela nos ensina a dizer sim e a nos abrir à Vontade de Deus: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra". Nas bodas de Caná ela nos ensina a termos um coração disposto a ajudar, que se compadece da dificuldade do outro e que pede a Deus auxílio não somente para si, mas para o irmão: "Fazei o que ele vos disser". Quando se perde de Jesus e o encontra somente três dias depois, nos ensina como é sofrido ficar longe de Deus, como devemos procurá-lo sem cessar até encontrá-lo: "Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição". 

E quantas lições ela também nos ensina com seu silêncio! Maria que guardava tudo em seu coração, não reclamava, brigava ou questionava o plano de Deus, mesmo quando Simeão lhe disse que uma espada de dor lhe transpassaria a alma. Maria que ficou em pé diante da Cruz, vendo o sofrimento de seu filho e contemplando com fé, o sentido de todo aquele plano de salvação do qual ela participava. Maria que aceitou ser mãe da humanidade quando foi para casa com o discípulo que Jesus mais amava. Maria que permaneceu com os discípulos e viu a Igreja missionária nascer porque estava lá em Pentecostes; vendo que o mesmo Espírito que um dia a envolveu com sua sombra, enviava os escolhidos de seu filho a anunciar!

Maria que na história dos filhos de Deus, nunca os abandonou! Que viu a profecia do Magnificat, "Todas as gerações me proclamarão bendita", se tornar realidade a medida que crescia nos corações dos homens o carinho e respeito por ela. Ela a quem a humanidade pode recorrer na simples e profunda oração do terço e tantas outras orações. Ela que tem tantos nomes nos mais diversos lugares para gritar para o mundo que ela roga por todos, sem distinção! Ela que sempre que concede a graça de ser vista, convida-nos a olhar para Deus, convida-nos à oração, conversão e penitência por aqueles que não acreditam.

Como sou feliz por ser sua filha! Como sou feliz por contemplar em sua pequenez e sabedoria um caminho tão certo para a santidade! Como sou feliz por poder contar com a sua intercessão e saber que tudo que te peço, chega ao coração de Deus! Como sou feliz por ter esse exemplo de esperança: Sim é possível ser fiel! Sim é possível viver na Vontade de Deus! Sim é possível manter os olhos fixos no Senhor mesmo nas horas mais difíceis!

Isso tudo a Senhora me ensinou, e tenho certeza que continuará me ensinando e rogando por mim até a hora da minha morte, porque assim a Igreja te pede em oração, e sendo mãe de toda Igreja como não atenderia?  Maria: Minha amiga, minha mãe, minha professora, meu exemplo... Como é bom saber que Deus em Sua infinita bondade e compreensão sobre o coração humano, me permitiu olhar para a Senhora e te chamar de minha. 


"Rogai por nós santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!"


Imagens de::: Basilica of the National Shrine of the Immaculate Conception / Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição - EUA

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Se eu amasse a Deus

Se eu amasse a Deus tudo seria mais ordenado. Meu silêncio interior existiria, e eu não ouviria tantos apelos que minha carne grita, reivindica, exige.

Se eu amasse a Deus perceberia o Amor perfeito que Ele tem por mim. Não ficaria esperando o amor do outro, a aceitação do outro, o elogio do outro. Nesse contínuo processo de busca que não encontro, de sede que não sacio.

Se eu amasse a Deus não seria tão difícil imaginar minha vida sem as coisas que eu tenho certeza que roubam-me Dele. Não seria tão sofrido desprender-me do ócio, daquilo que mata o tempo.

Se eu amasse a Deus, não amaria tanto outras coisas, não me importaria tanto com o que perco, com o que ganho. Eu veria em tudo a destra poderosa que não desampara, o consolo que não falta, a sabedoria que conduz.

Se eu amasse a Deus não transformaria meus relacionamentos em idolatria, não me tornaria dependente dos outros. Não os colocaria na frente Dele. Não colocaria tanta pressão, expectativa e responsabilidade naqueles que não podem chegar nem perto do que eu preciso.

Se eu amasse a Deus não tentaria tantas vezes ser senhora do tempo. Não me agarraria tanto ao passado, não me preocuparia tanto com o futuro, não lamentaria o presente. Se deixasse que Ele fosse senhor do meu tempo, as horas, os dias, os anos, teriam muito mais suavidade e sentido.

Se eu amasse a Deus me ocuparia mais com a nossa relação de intimidade. Não encontraria tanta dificuldade em estar a sós com Ele. Teria muito a dizer e muito a ouvir. Meu silêncio seria mais fecundo, minha contemplação seria mais bela, minhas palavras seriam mais precisas.

Se eu amasse a Deus não seria refém dos meus vícios. Não acharia tudo normal, não criaria desculpas para os pecados que não consigo vencer. Não acharia o certo radical demais. Não seria fácil fazer o que é errado. Não me acharia certa por fazer um pouco, porque tantos fazem nada. Meu esforço seria por fazer cada vez mais, exatamente porque tantos fazem nada. Seria penoso desagradar o meu Amado. 

Se eu amasse a Deus minha conduta de vida faria com que aqueles que não tem fé se questionassem. Não seriam necessárias tantas palavras e argumentos para convencer. Minha coerência seria contagiante, minha alegria sairia pelos poros, meu testemunho, de fato, arrastaria.

Se eu amasse a Deus me conheceria melhor. Pararia de tentar a minha fraqueza caindo nas armadilhas que eu mesma crio para mim. Reconheceria minha vaidade e meu orgulho, e deixaria que o Senhor reinasse sobre eles. Saberia minha identidade ontológica, não me faria um personagem.

Se eu amasse a Deus saberia diferenciar realidade e fantasia. Minhas decisões não seriam fuga, minhas ações não seriam desmedidas, e meu dinamismo seria inspirado. Não seria estagnada, não me perderia em devaneios, não me perderia em criações da imaginação.

Mas ao cair da noite, percebo que o brado de São Francisco é para mim: "O Amor não é amado". E nessa quase denúncia, me vejo criminosa. Mas o brado que ecoa em meus ouvidos não acusa, porque não vem da justiça humana. Ele, ao contrário, convida à mudança porque é divino.

E no início de mais um dia, pergunto então a Deus: Que misericórdia é essa que chega até a doer? Que Amor é esse que não cansa de esperar? Que paciência é essa que tudo suporta? Que misericórdia é essa? Que misericórdia é essa?

E constrangida, pequena e desorientada, concluo que bom mesmo seria, se eu Te amasse.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Somos

Já quis ser princesa. Esperando o príncipe, numa historia em que tudo seria perfeito, em que o "felizes para sempre" jamais chegaria ao fim!

Já quis ter super poderes! Ser heroína igual aos filmes que a gente vê! Lutar contra a maldade e ser extraordinária! Poder voar, ou ficar invisível, ou ter super força, poder me teletransportar para outros lugares em segundos...

Já quis ser diretora de filme, ou de vídeo clipes! Ficava imaginando enredos para historias ou como ilustrar uma musica enquanto lavava louça...

Já quis viver em series ou filmes que assisti. Imaginando ser um dos personagens, ou ser uma nova personagem que entrava em cena.

Já quis ser a mulher bem sucedida! Usando roupas chiques o tempo todo, atendendo o telefone, participando de reuniões e fazendo apresentações. Resolvendo coisas complicadas e importantes.

Já quis ser mochileira! Viajar o mundo, conhecer as belezas que existem por aí! Viver sem rotina, sem nada te amarrando. Provar as coisas típicas de cada lugar, conhecer pessoas diferentes... Ver a riqueza da cultura e a beleza do ser humano em sua diversidade.

Já quis ser esposa e mãe! Com a casa arrumadinha, fazendo o jantar para quando o marido chegasse. Contando historias para os filhos, ensinando algo novo a cada dia.

Já quis ser a melhor professora do mundo! Aquela que entra na sala de aula e cativa os alunos, despertando neles uma sede de aprender. Aquela que domina o que faz, que ganha prêmios e treina outros professores. Contribuir para um mundo melhor, construindo conhecimento de maneira real e consciente.

Já quis ser uma cantora famosa! Treinando no espelho, fazendo da escova de cabelo um microfone, imaginando a grande platéia indo ao delírio.

Já quis ser uma grande escritora! Dar entrevista para o Jô Soares, ter uma casa de campo com uma mesa perto da janela para olhar a paisagem e me inspirar para o próximo livro!

Já quis ser a mais bonita! Imaginando um monte de coisas que poderia mudar em mim, segundo um padrão estabelecido na minha cabeça, influenciado pelo que parece ser o ideal.

Já quis ser pirata! Navegando os sete mares, buscando tesouros, descobrindo lugares nunca antes vistos, vivendo aventuras.

Já quis mudar o mundo! Ajudar as pessoas, falar de Deus, levar esperança. Inspirar, motivar.

Quanta coisa a gente quer! Quanta coisa parece interessante, certa, bonita, ideal! Quantas possibilidades existem e cada uma com seu traço especial! Uma vida só e tanto para fazer, tantas oportunidades de ser!

Criança, adolescente, adulto... Em cada uma das fases, em cada momento, a cada conquista uma nova vontade, a cada final um novo começo!

Que fascinantes somos! Que linda a existência, e que generoso o Criador que nos fez livres para ousar, tentar, escolher, viver...

E que nada permita que nos esqueçamos do quanto somos especiais, do quanto podemos, SIM, sonhar... e realizar!

De tudo que se possa querer, há uma coisa que creio ser comum a todos os desejos::: ser feliz! E mesmo que muitos nao concordem, nao vejam, nao aceitem, acredito que a única felicidade esta em buscar simplesmente ser o que Deus pensou de você quando te criou.

Vemos tantos comportamentos auto-destrutivos, tantos vícios, tantas modas, tantos falsos modelos... Tantos que se esqueceram do potencial que tem! Que nao acreditam ou que enterraram todos aqueles sonhos e vontades...

Já quis ser muita coisa e provavelmente vou continuar querendo muito! Mas que seja a primeira e mais importante das vontades, a busca do querer ser o que fui criada para ser! Numa existência que tenha sentido, que seja real, que seja saudável, que seja resposta ao anseio e questionamentos do ser humano... que leve a eternidade!

"Eu sou aquilo que Deus enxerga em mim. Eis a grande alegria do meu coração. E a gente sem saber como e por que. Se sente feliz e sai a cantar uma alegre canção".

segunda-feira, 14 de março de 2011

A escolha certa ...

Muita gente diz que: "A vida é feita de escolhas", "Você é o resultado de suas escolhas" e mais coisas parecidas... E eu concordo com essas afirmações. Escolher é fácil! Na verdade fazemos isso o tempo todo, só que tantas coisas já são parte de uma rotina, de convenções, que acabamos não nos dando conta de como estamos constantemente 'ativos', de como estamos constantemente escolhendo. Escolhemos nos levantar, escolhemos ir para o trabalho ou para a escola, escolhemos o que vestir, escolhemos por qual caminho vamos, escolhemos com quem vamos falar, escolhemos de quais situações vamos rir, escolhemos o que vamos permitir que nos incomode, escolhemos, escolhemos, escolhemos...

Há quem diga e lamente o "curso que sua própria vida toma", mas não podemos fugir da nossa responsabilidade! Quando algo ruim acontece, tente pensar em quais escolhas te levaram até aquele ponto e decida-se: você vai escolher buscar uma solução, ou vai escolher lamuriar e nomear culpados?

É claro que não podemos negar que as escolhas das outras pessoas, principalmente as que são mais importantes para nós, nos afetam! Mas mesmo o nível dessa influência pode ser administrado. Difícil!?... Sim! ... Porém é possível!!! Tudo isso está relacionado com equilíbrio emocional, maturidade, força e o autoconhecimento (do qual eu sempre falo).
Resolvi falar de escolhas porque não é de hoje que tenho observado uma grande tendência social de "fuga das escolhas". De certa forma, se não tomamos consciência de que o que acontece em nossa vida é resultado de nossa escolha, fica mais fácil fugir da responsabilidade... E seguimos cantando::: "Deixa a vida me levar..."
Para ilustrar, tomemos como exemplo as modas, estilos de roupa, bandas famosas. Será que todas as pessoas que usam 'roupas coloridas' e 'cabelo de Justin Bieber' fazem isso porque realmente pensaram no que estão fazendo, analisaram os fatos, e conscientemente escolheram que aquilo está de acordo com o que eles querem comunicar ao mundo?
Esse exemplo é bem superficial, o que está visível ao olhos, roupas, cabelo... é menos grave do que está dentro de cada um. Aí é que mora o perigo... Eu vejo essa tal "fuga das escolhas" da qual falei, como uma máscara que colocamos para dizer que estamos bem e não precisarmos pensar em nós mesmos como seres em construção que precisam melhorar, refletir, e escolher!
Gostaria de refletir sobre um conceito existente na Bíblia. O Apóstolo Paulo na Carta aos Efésios fala da diversidade do ser humano. Que a cada um foi confiado um diferencial, uma 'graça', e que devemos colocar essas nossas características, nossos 'dons' a serviço dos outros. Ele diz ainda que usar o que temos de bom, escolher e agir é parte de um processo de maturidade...
"Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores." (Ef 4: 14)

Para mim entrar nessa 'onda' é exatamente fugir do processo da escolha. Você pode me dizer: se tudo é resultado de escolha, então não se pode dizer que as pessoas fogem dela. Bem, eu disse que escolher é fácil, mas 'escolher certo' não é tão fácil assim. Além disso, se essas pessoas que vivem "ao sabor das ondas", fugindo das responsabilidades são realmente conscientes e seguras de suas escolhas, por que é que elas vivem reclamando? ... A incoerência começa aí!

Escolher certo, segundo o que eu acredito, é escolher aquilo que te faz explorar seus potenciais e buscar melhorar seus pontos fracos. É estar em constante processo de reflexão - ação. É buscar soluções. Viver de maneira saudável, buscando lidar bem com os vícios, carências, decepções, desafios e novas situações a que somos expostos dia após dia.

A todo tempo temos propostas variadas sobre como devemos agir e ser no mundo. Essas propostas muitas vezes vem cheias de atrativos que acabavam nos levando a escolhas que satisfazem desejos, mas não acrescentam nada muito significativo as nossas vidas. Nesse domingo, a Igreja refletiu sobre a tentação de Jesus no deserto. Para quem não conhece a história: Jesus ficou 40 dias no deserto, sozinho, jejuando e durante esse período foi tentado por seu inimigo.
Achei fantástica uma analogia que o Padre Pedro Graciano fez sobre essas 'tentações'. Ele dizia que o que foi oferecido a Jesus, é aquilo que nos oferecem todos os dias. Vide trecho:::
"Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: 'Se és filho de Deus, manda que essas pedras se transformem em pães'." (Mt 4: 3)
A reflexão proposta pelo Padre foi a seguinte: é natural transformar pedra em pão? ... Não! Pode-se pegar trigo, e outros ingredientes e transformar em pão, isso sim é natural! Ou seja, a proposta tentadora a que estamos muito expostos ultimatente é a de fugirmos do que é natural. Fazer o que é 'diferente' simplesmente para mostrar que podemos fazer. Fugindo assim de nossa essência, da reflexão e da escolha por colocar a serviço e a disposição aquilo que temos de bom para oferecer.
O natural, segundo o que eu aprendi ser válido, é que vivamos nossa vida sendo inteiramente responsáveis por nossas escolhas, conscientes de que devemos buscar aquilo que nos faz amadurecer como seres humanos, nos faz ser úteis e livres...
Que as pessoas, a começar por mim, possam ter sabedoria e força de caráter para reconhecer e resistir a essas armadilhas que existem por aí. Que busquemos acertar em nossas escolhas, que nos sintamos direta e completamente responsáveis por nossa felicidade e pelo rumo de nossas vidas! Que assumamos a cada dia nosso papel de 'humanos', de seres livres, de pessoas fortes que buscam escolher aquilo que constrói! E mesmo que, as vezes, escolhamos errado (o que é aceitável), que tenhamos maturidade e força para reconhecer nossos erros e buscar soluções.
Pode não ser fácil, mas o difícil é tão mais interessante ;) ... Então seja esperto e faça sua escolha!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal!

Faltam dez dias para o Natal, e seria incoerente se eu não escrevesse algo a respeito, afinal eu adoro essa data! Para explicar meus motivos de tanta simpatia por esse tempo, quero destacar duas palavras: tradição e fé.

Desde criança o Natal é especial para mim, lembro de momentos, pessoas e surpresas que marcaram a minha vida e definem um pouco do que eu sou e acredito hoje. Quando criança havia a família reunida, os presentes, a chegada do Papai Noel, que vinha de helicóptero até o CenterVale Shopping (rs). Outro fato que lembro todos os anos é como eu adorava os enfeites de Natal e tinha todo um jeito especial de nomeá-los, todos os enfeites que eu via, eu apontava e dizia: “Olha o lindo!” – e até hoje os chamo assim! Mas tudo isso é nada diante do verdadeiro sentido do Natal, é claro que tudo isso é válido, e o Papai Noel, os presentes e enfeites são importantes em certas fases da nossa vida, mas não podemos parar por aí!!!

Na Igreja há todo um cuidado para que os cristãos se preparem e vivam o Natal com maior profundidade e reflexão. As semanas que antecedem o Natal são chamadas de ‘Advento’. Com o tempo e a minha possibilidade de maior entendimento, a crença e práticas do Natal cristão somaram mais beleza e significado ao Natal do ‘lindo’, presentes e família que eu prezava desde minha infância.

Hoje o Natal representa muito mais para mim e para aqueles que creem, ele representa parte de um plano de salvação que Deus traçou para a humanidade. O Natal é parte primordial da construção do que hoje chamamos de Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Pois nesse tempo, nasceu o Filho, o Messias enviado de Deus, que viveu, nos abriu as portas da Eternidade, Ressuscitou e nos enviou o Santo Espírito... Eis a grandeza do Natal: Marcar e atualizar a vinda de Jesus Cristo a terra!

Na ordem cronológica o ano está acabando, mas para a Igreja é um começo. O ‘Advento’ nos prepara para a vinda do Menino Jesus, a luz perfeita que chega ao mundo para renovar em nós a esperança e nos inspirar na busca de sermos pessoas melhores. Por ser tão importante e de ordem tão profunda é que a Igreja, em sua sabedoria, propõe as quatro semanas de preparação para o Natal.

Tenho pensado, com a ajuda dos sacerdotes e de amigos inspirados, sobre a imensidão da beleza e loucura que envolve esse tempo. Deus Pai, tomado de Amor, envia o Menino Deus ao seio da humanidade, frágil, indefeso, pequeno, submetido ao nosso humano, às nossas limitações e regras. Vejo aí o grande Amor e confiança que Deus deposita em nós, permitindo que uma simples família pudesse cultivar a esperança do mundo inteiro e de todas as gerações, sendo até hoje, sinal e testemunho para os que crêem.

Como disse - e muito bem dito - um amigo meu, mais ou menos com essas palavras: “O Natal representa essa loucura de Amor de Deus, que permitiu que aquele que sustenta todo o Universo, coubesse na mão do ser humano”.

Não podia deixar de também ressaltar a importância da família nesse tempo. Deus quis nascer no seio da família, não por acaso, mas por saber que ali é onde nos formamos e aprendemos a amar. Espero que nesse tempo de ‘Advento’, as famílias possam revestir-se de Amor e de força, para experimentarem a restauração e renovação que o Natal nos permite viver.

Sei que muita gente não gosta do Natal por lembrar-se de uma pessoa querida que já faleceu, ou por nunca ter tido tradições, ou por achar tudo fingimento de pessoas que só ‘ficam boazinhas no Natal’. É claro que esses motivos carregam significado e eu os respeito. Porém, tudo é uma questão de escolha! Somos ‘humanos’ e conscientes, e o que nos torna diferentes de todos os outros seres que existem nesse Planeta é a capacidade de pensar, ponderar e decidir!

Se colocarmos de um lado da balança toda a incredulidade, lembranças e sentimentos desagradáveis que o Natal pode trazer a algumas pessoas, e do outro lado da balança colocarmos o Milagre de um Deus que se faz menino por Amor aos homens e por confiança em nossas boas escolhas... o que pesa mais?

Nesse ano espero ver menos consumismo e mais generosidade! Que as luzes artificiais não desviem nosso olhar da Verdadeira Luz, que é o Menino Deus que chega para nos abençoar! Que o sinal mais importante de representação do Natal seja o presépio, e não a árvore e o Papai Noel. Que o tempo do Advento e do Natal permita que o nosso coração esteja aberto a amar mais, perdoar mais, sorrir mais... se assim escolhermos!

Um ótimo Natal para você e sua família!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A dialética do querer e dever

" Poucas pessoas conseguem tudo o que querem, mas no final das contas, elas não são as verdadeiras sortudas. Os verdadeiros sortudos são aqueles que fazem o que estão destinados a fazer".

Isso foi dito em um filme que me emocionei assistindo hoje... Nisso criou-se em mim uma reflexão que dá título a este post: o "querer" oposto ao "dever".

Gostaria de falar desse conflito considerando a juventude, grupo no qual
me sinto inclusa. Essa época é extremamente emocionante! E apesar de ser complicado e até parecer injusto, uma constatação é óbvia e real: muitas das grandes decisões de nossas vidas começam a ser tomadas quando somos jovens.

O que é que eu vou fazer quando acabar a escola? Para que faculdade eu vou? Que curso fazer? Será que devo só fazer um curso técnico? Será que eu deveria fazer um intercâmbio? Será que ficar longe da minha família por um tempo seria bom? Mas se eu ficar longe como fazer com aquele(a) garoto(a) que eu amo? Quando devo começar a trabalhar? Que profissão seguir? Como e onde começar?

Quem não se fez ao menos uma dessas perguntas? E eu gosto das perguntas! Acredito que elas são uma demonstração de que estamos dispostos a refletir e crescer... mas a pergunta precisa gerar movimento, senão se torna vazia... Então vamos lá!

Atualmente os jovens têm acesso a informação facilmente, rapidamente, abundantemente... Isso deveria ajudar a responder as perguntas interiores destacadas acima, que não são novidade para ninguém! A informação deveria ajudar a gerar um movimento e filtrar nossas intenções em relação ao querer e dever, mas vemos que não é isso que vem acontecendo. Essas perguntas, apesar de fazerem muito parte do 'lugar-comum', não estão, muitas vezes, sendo encaradas com a seriedade que mereciam. A busca do responder, de acordo com o mais correto, está perdendo espaço para a resposta imediata e de suposto benefício próprio.

Aí finalmente entramos no querer. O que queremos hoje? Queremos o que vemos, queremos o que é belo, o que é poderoso, admirável, intenso, o que nos faz sentir 'parte' de algo virtualmente importante.

♫ I wanna be a billionaire so fucking bad.
Eu quero muito ser um bilionário
Buy all of the things I never had.
Comprar todas as coisas que eu nunca tive
I wanna be on the cover of Forbes magazine.
Eu quero estar na capa da revista Forbes
Smiling next to Oprah and the Queen.
Sorrindo ao lado de Oprah e da Rainha

Everytime I close my eyes.
Toda vez que eu fecho meus olhos
I see my name in shining lights.
Eu vejo meu nome em luzes brilhantes
A different city every night
Uma cidade diferente a cada noite
I swear the world better prepare
Eu juro que é melhor o mundo se preparar
For when i'm a billionaire.
Para quando eu for um bilionário ♪
(Billionaire – Bilionário / Travis McCoy e Bruno Mars / tradução livre)

Essa música, deixa explícito o que parte das pessoas está querendo... Mas não se trata somente de fama, dinheiro e poder, é mais que isso! Eu juro que é melhor o mundo se preparar para quando eu for um bilionário... Mudando um pouco: Eu juro que é melhor o mundo se preparar para quando em conseguir tudo o que eu quero... E é isso! O que iríamos fazer se alcançássemos o que queremos? Será que o nosso querer está realmente relacionado com o que é verdadeiro e ideal para nós, relacionado ao que é bom?

Entramos, agora, no dever. Cada dia que passa as pessoas, principalmente as mais jovens, se incomodam absurdamente com esse conceito! "Não quero nada nem niguém me dizendo o que devo fazer"...

♫ Hey dad look at me
Hey pai, olhe para mim
Think back and talk to me

Pense e fale comigo
Did I grow up according to the plan ?

Eu cresci de acordo com seu plano?
And do you think I'm wasting my time doing things I wanna do? ♪

E você acha que estou perdendo tempo fazendo as coisas que quero fazer?
(Perfect - Perfeito / Simple Plan / tradução livre)

Não queremos ouvir nem de nossos pais, nem dos outros o que devemos ou não fazer... Ainda mais difícil é estarmos dispostos a ouvir, analisar os fatos, nos questionarmos a respeito de nossas decisões e atitudes e descobrirmos se realmente estamos fazendo o que deveríamos.

Eu não me atrevo a dizer o que as pessoas deveriam fazer, mesmo porque eu não sei [rs] e isso é bem individual e profundo! Mas uso essa frase citada no início desse texto para tentar concluir toda essa história. Não concordo com algumas das palavras utilizadas nela, então vou ajustar de acordo com os conceitos que considero reais. (Volta lá em cima e leia a frase de novo, se quiser e achar que deve ;] )

Para 'sortudo' prefiro usar as palavras: realizado, pleno, inteiro ... e vemos que não são muitos que estão atingindo este estágio... creio que isso provém de uma grande tendência social à imitação, conveniência e facilidade. O 'destino' mudo para as palavras vocação ou missão. E só conseguimos cumprir nossa missão ou viver nossa vocação quando passamos pelo processo do autoconhecimento: sem máscaras, sem medo.

Sonho com o dia em que nós vamos nos preocupar mais em ser do que em mostrar. Que vamos buscar descobrir e viver o que devemos, e não só o que queremos, o que vem do impulso, das vontades, das pressões, dos exemplos distorcidos que nos são apresentados.


Enfim, muitos dizem que a religião aliena e faz as pessoas serem manipuladas e ignorantes, mas eu digo que a Igreja Católica a que pertenço e através da qual conheci Deus, me ensinou que eu posso TUDO, mas o que realmente devo é buscar o que me torne plenamente feliz. A felicidade que não passa depois de uma noite de balada. Não passa depois que eu já curti aquilo que eu comprei. Não passa depois de ter aquele momento intenso com o cara ou a moça por quem se é apaixonado.

É uma satisfação que dura por se tratar do desenvolvimento de quem você é, de ter uma missão e buscar cumpri-la, e não importa se você descobre que sua vocação é de realizar pequenas ou grandes coisas. Como diz um amigo meu, hoje o mundo está tão escuro que todos correm atrás de quem acende um fósforo. E quem faz o que deve fazer, que consegue controlar e dominar seu querer e estar no lugar certo, fazendo a coisa certa... cativa!

O grande lance é estar em Comunhão consigo mesmo e com Deus , conhecer seu potencial e saber o que fazer com ele. O individualismo imposto pela sociedade atual nos faz pensar que o que sabemos ou temos de especial deve ser utilizado exclusivamente para o nosso bem estar, enquanto que se o usássemos para o bem comum, os frutos seriam muito mais significativos.

Fica aqui o convite! A começar por mim, vamos embarcar nessa jornada rumo ao descobrimento de nós mesmos. Aceitar o processo de escolher o que é mais correto, o que devemos fazer, deixando de lado aquilo que corresponde a um querer vazio e egoísta, fruto de paixões. Que Deus nos ajude a sermos pessoas melhores e, assim alcançarmos o que nos é devido e que nos levará à Eternidade.

Porque tenho sido tudo, e creio que minha verdadeira vocação é procurar o que valha a pena ser. (Monteiro Lobato)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Karol - Um homem que se tornou Papa

Ontem tive a maravilhosa oportunidade de assistir ao filme que dá nome a este post. E aproveito para agradecer aquela que me emprestou esse filme e insistiu para que eu assistisse – Rafa! ♥


Como é bom ter um sinal que a bondade, a força de espírito e o Amor realmente podem realizar muito, mesmo que o mundo não pareça interessado. Posso dizer que ontem, Karol Wojtyla me fez uma pessoa mais feliz! Sou grata a ele por ser exemplo, ser testemunho do Amor de Deus!


Seguem algumas das reflexões de nosso querido Papa João Paulo II, antes mesmo de seu pontificado. Isso é o que mais me impressiona, uma vida i-n-t-e-i-r-a de sabedoria e superação! Espero que essas palavras sejam para você um carinho para a alma e motivação para a vida, assim como foram para mim!


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“Decepções, perseguições, violência. Estão tentando nos machucar, não querem nos ver sorrir. Você não pode deixar que roubem sua força, seus sonhos, seu amor, nunca! Lembre-se disso! Você vê? Estou falando com você sobre Deus, sem mencionar Seu nome”.


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“Vocês precisam acreditar na força da esperança. Confiem no Amor que é mais forte que a morte. Tenham fé, não percam a esperança. Não fiquem desencorajados. Nunca percam a liberdade de espírito com que Cristo libertou os homens”.


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“Ninguém deve ser forçado a crer. A causa da liberdade de espírito, liberdade de consciência e religião é uma grande causa humana para o homem moderno e durante toda a história. Não basta dizer: “eu sou livre”, devemos aprender a dizer “sou responsável”. Gostaria de começar um diálogo entre a Igreja e o ateísmo. Não devíamos começar por provar a existência de Deus, mas por refletir sobre a solidão profunda do homem”.


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“Um padre é alguém que liga os mistérios da fé a dádivas invisíveis destinadas à humanidade. Minha definição de padre: Um homem pelos outros”.


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“Não há nada mais misterioso que o Amor. Temos uma necessidade desesperada de Amor. A diferença entre o que queremos e como vivemos é terrível. O amor não pode ser ensinado, mas temos que aprender sobre ele. Uma coisa é certa. O Amor e a sexualidade são elos importantes entre a mente e a natureza. Mas o Amor também é responsabilidade. Quando um homem e uma mulher são unidos por Amor verdadeiro, um assume o destino e o futuro do outro como se fosse o seu. Isso pode trazer sofrimento, mas é a única forma real de Amor. Não é um jogo”!


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“O Amor explicou cada coisa, o Amor resolveu tudo para mim. É por isso que eu admiro o Amor onde quer que se encontre. Se o Amor é tão bom e tão simples, se sentimos saudades e nostalgia, então eu entendo por que Deus aprecia as pessoas simples, cujos corações são puros, mas não sabem expressar o Amor. Deus veio de longe e Ele parou a um passo do vazio, perto de nossos olhos. Talvez a vida seja uma onda de surpresas, uma onda maior do que a morte. Não tenham medo! Nunca”!


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Louvado seja Deus pelo legado de Karol Wojtyla –

O Papa João Paulo II


domingo, 4 de julho de 2010

O Sacerdote e a Igreja

Faz alguns dias que queria escrever esse texto, mas parece que alguns fatos a mais precisavam acontecer para que amadurecesse a ideia. Quero nas próximas linhas manifestar o amor ao mistério e a paz inquieta que ser parte da Igreja Católica Apostólica Romana causa em mim.

Gostaria de me apegar primeiramente à figura do sacerdote, sim, essa figura que tem sido criticada, diminuída, e desacreditada por muitos. Ouvi esse fim de semana de um Cardeal que celebrava seus cinquenta anos de ordenação, que o “Sacerdote é o Sacramento da bondade de Deus”. Acredito que essa afirmação remete ao fato de Deus confiar aos homens missão tão linda e grandiosa, esse foi um ato de extremada bondade da parte de Deus, porque sabemos que os homens são imperfeitos. E como essas palavras me levaram a pensar...

Pense que hoje a mídia alcança cada canto do mundo. Pense que neste momento existe alguém inventando mais um aparelho de tecnologia super avançada, que provavelmente não precisamos, mas vamos querer ter. Pense que já passamos por crises, guerras, revoluções, mudanças econômicas e sociais extremamente substanciais. Pense que hoje a sociedade e a família, sua célula menor e mais linda, lutam para se adaptar às mudanças por conta de exigências profissionais e acadêmicas, mudanças de valores, na educação dos filhos, e muito mais.

Agora pense que a Igreja sobreviveu e sobrevive a tudo isso! Pense na sucessão ininterrupta de Papas desde São Pedro... E o que tudo isso aponta?


É nisso que tenho pensado! No orgulho de pertencer a um ideal, no qual pessoas absolutamente comuns, se doam, acreditam, e mantêm acesa a chama de uma Instituição milenar.

Eu experimentei a reconciliação com Deus através do Sacramento da confissão na semana passada. Meditando e experimentando a paz que senti ao receber a benção e o perdão de Deus através daquele Sacerdote, só pude pensar em uma coisa: como pode um ser humano como eu, conhecer o lado mais fraco, mais sujo das pessoas e continuar a frente de um povo, falando de amor e caridade, e pedindo que amemos e acreditemos uns nos outros?

Será que se você tivesse a oportunidade de ouvir, mesmo que só por um dia, as confissões das pessoas, continuaria acreditando na humanidade?


Penso em São Padre Pio que ficava até 20 horas no confessionário, sem intervalos, sem comer, horas e horas ouvindo e aconselhando as pessoas. Penso na doação, no coração que busca ser manso e humilde desses Sacerdotes. Eles são líderes que mesmo tendo plena consciência das limitações daqueles com quem precisam contar, continuam em seu caminho promovendo a Palavra de Deus e lutando para que a Evangelização aconteça.

Como é gratificante pensar que faço parte de um grupo, minuciosamente organizado e hierarquizado que abre espaço, para que no meu pouco, na minha migalha, eu seja parte do todo, e manifeste a minha fé do jeito que eu posso e consigo fazer.


Posso dizer que a figura do Sacerdote me ampara, me conforta, e me inspira. Posso dizer que fazer parte de uma Igreja tão grande, me motiva a ser uma pessoa melhor e preenche lacunas no meu ser, no meu coração, que mais nada ou ninguém conseguiria alcançar.

E partindo dessa admiração pelo sacerdócio, me volto para a Igreja, puramente, e tudo que ela representa e desperta nas pessoas. Hoje tive a graça de participar de um ato de fé, pude ver uma multidão de pessoas caminhando, cantando e sorrindo pelas ruas de minha cidade professando seu Amor a Deus e sua vontade de buscar o que realmente importa.

Como eu me sinto privilegiada por conseguir ser autêntica, me divertir, sorrir e até chorar de emoção em um ambiente saudável, sem preocupações com violência e desconfiança. Quantas vezes nos sentimos perdidos e confusos? Quantas vezes pensamos que nossa vida não tem rumo, não tem objetivo? Quantas vezes nos fazemos àquelas indagações essenciais do tipo: onde quero chegar ou que tipo de pessoa quero ser.

Em Jesus Cristo e na Igreja você encontra um lugar, você tem aquele vento impetuoso que te lança para frente e te faz enxergar seu valor, de “ser único” que pode e deve desempenhar um papel nesse mundo.

É inexprimível a satisfação de saber que você é parte de algo, que você foi marcado por um Amor tão profundo, que se você souber utilizar esse dom recebido, os que estão à sua volta também sairão beneficiados.

Aprendi que com Deus, certas regras incontestáveis não permanecem, isso porque quando eu divido o que recebi de Deus, eu não fico com menos! Acredito que o Amor é a única coisa que cresce e se multiplica ao ser dividido.

Ser Igreja a cada dia que passa, tem sentido mais amplo, ao passo que mais intrigante para mim. Ser Igreja é fazer de cada dia uma oportunidade de crescer, de aprender, de se doar, de se dividir, de se corrigir. Ser Igreja é entregar o pouco que se tem, por um bem maior. Ser Igreja é dizer sim, é ousar, é não ter medo de vencer seus limites. Ser Igreja é querer contar com o outro em um mundo que prega o individualismo. Ser Igreja é estar aberto às mudanças e ao novo, sempre apoiado às verdades de Cristo e aos ideais que acompanham essa Igreja desde sua fundação.

Enfim, basta dizer que sou abençoada por ter encontrado um tesouro chamado Jesus Cristo, um tesouro infinito que se desdobra diante dos meus olhos a cada dia, se revelando na forma do Sacerdote, do amigo, da família, da Eucaristia, da missão... do Amor em seu sentido mais pleno. Esse Amor que como nos diz a Carta de São Paulo aos Romanos, nada pode extinguir ou separar.

Eu peço a Deus que você que leu esse texto, busque sempre encontrar e redescobrir seu Tesouro, busque Aquele que pode te sondar e preencher. Peço também que aqueles que já fizeram a experiência sejam resignados em permanecer no Amor que lhes foi revelado!

Encerro repetindo as palavras do Cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid que disse:
“Senhor eu não Te vejo, às vezes nem Te sinto, mas que a cada dia e cada vez mais eu CREIA”!

Iluminai-vos Movimento de Amor